Texto sobre a posição do sujeito como protagonista
de sua vida, considerando os filmes (Ilha das Flores e Boca de Lixo) .
O lixo é produto de nossas atividades cotidianas, tais como:
alimentação, trabalho, estudo, entre outras. Os primeiros habitantes da terra
já descartavam os restos dos animais que caçavam e com o tempo esse descarte só
foi aumentando, tornando-o um recurso de trabalho e sobrevivência. Ao assistir
“Ilha das flores” e “Boca de lixo” vemos como é o uso desse recurso e como cada
indivíduo é inserido na sociedade e vive através dele.
No primeiro, conta com um tom de denúncia a trajetória do lucro a partir
dos processos de produção e consumo, até o lixo descartado em um “deposito”
chamado Ilha das flores, localizado em Porto Alegre (RS) é destinado a porcos e
em segundo plano pessoas sem voz, vítimas da falta de escolha imposta pela
demasiada desigualdade advinda do sistema, que de forma miserável tem o lixo
como única escolha e possibilidade de sobrevivência.
No
segundo, apesar de também abordar a relação das pessoas com o lixo, observamos
certa distância da crítica, seus personagens são protagonistas das suas vidas,
com voz, nome, amores e em muitos casos liberdade de escolha. No decorrer de
todo o filme, surgem rostos e com eles histórias e sonhos de pessoas que tem o
lixo do vazadouro de Itaoca como trabalho e fonte de lucro, a maioria destas,
cientes do seu papel na sociedade e orgulhosas da função que estão exercendo.
Levando-se em consideração esses aspectos
nota-se que, embora seja predominante a lógica de que o lixo é inútil, tem que
ser jogado fora e rejeitado, muitas pessoas tem esse “recurso” como forma de
sobrevivência e em alguns casos, escolha de trabalho. A crítica exposta em Ilha
das flores e as histórias capturadas em Boca de lixo, nos mostra uma realidade
que diariamente não enxergamos, onde o que para uns é lixo e vergonha, para
outros é alimento, trabalho e lucro.

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